Colunistas - LEONARDO GUIMARÃES

Coisa boa estar de férias, né não?

17 de July de 2017
Coisa boa estar de férias, né não?
Iniciando minhas férias acadêmicas com aquele famoso alívio da tensão, nada mais justo que falar um pouquinho sobre a importância de tirar férias para nossa saúde e para nossa qualidade de vida. E claro, como de costume, meu texto tem um enfoque neuropsicológico, mas procuro simplificar e trazer exemplos bem práticos e acessíveis.
Como bom acadêmico, a primeira grande mudança que percebo estando de férias (e minha saúde agradece imensamente por isso) é poder dormir adequadamente. Já falei em outros textos aqui no Jornal Opa, mas nunca é demais lembrar que dormir é uma atividade essencial para nossa saúde. Ok, acadêmico também dorme, mas há uma importante diferença entre deitar às 3 horas da madrugada exausto com a escrita de um artigo, sabendo que nos próximos dias a leitura de um capítulo de um livro para aquela cadeira de segunda, uma resenha para aquela cadeira de quinta e aquele resumo para o seu colega do grupo de pesquisa deverão ser concluídos, e deitar na cama sem a presença destes pensamentos estressores.

Outro ponto interessante acerca das férias é que com o tempo que nos sobra normalmente fazemos algo de diferente. E acho esse fato interessante não somente pelo prazer que nos causa o fato de realizarmos uma atividade nova, mas também pelos benefícios que este hábito proporciona ao nosso cérebro. Muito do que fazemos diariamente é armazenado no nosso cérebro através de um processo denominado memória procedural, um processo automatizado, que demanda menos energia e direcionamento voluntário da atenção durante sua execução. Comer, falar, caminhar, andar de bicicleta, nadar, escrever, amarrar o tênis, e uma vasta quantidade de tarefas que realizamos diariamente são exemplos de memória procedural.

Conforme mencionei, realizar tarefas de forma automatizada é favorável ao nosso cérebro, pois propicia economia de energia. Mas aprender novas atividades é igualmente importante para o nosso cérebro, tendo em vista que estimula outras áreas cerebrais, permitindo uma espécie de reorganização no universo neuronal. Aprender uma atividade prazerosa, como tocar um instrumento musical, falar um novo idioma, dançar, andar à cavalo ou praticar um esporte radical aumenta exponencialmente os benefícios. E, convenhamos, durante as férias parece ser um ótimo momento pra se aventurar neste sentido.

Há quem diga que mesmo não podendo tirar férias, o simples fato de se desligar momentaneamente de certa atividade já ajuda o cérebro a renovar as energias, retomar a motivação que aos poucos vai se esvaecendo em meio à rotina estressante e até mesmo solucionar alguns problemas ou conflitos internos. Meus colegas que estudam o Inconsciente sob a ótica psicanalítica são mais indicados do que eu para falar a respeito de como podemos resolver conflitos internos justamente quando deixamos de direcionar nossa atenção conscientemente a tais problemas, e caso o leitor queira esclarecer algo neste sentido ponho-me à disposição para levar tais dúvidas a eles e dar uma resposta mais apropriada.

Por fim, e com certeza não menos importante, acho pertinente falar também da relevância de buscar formas de se obter benefícios semelhantes aos que as férias nos viabilizam mesmo quando estamos imersos na nossa rotina turbulenta. Seja por meio de meditação, uma caminhada na beira da praia, Psicoterapia, uma rodada de ceva com bons amigos ou se organizar para finalmente aprender a tocar aquele instrumento tão admirado, o importante é encontrar uma atividade prazerosa e satisfatória para dar ânimo à vida e desligar-se da rotina. Talvez o caminho para felicidade seja narrado pelo universo interior de cada um de nós, universo que só conseguimos ouvir quando conseguimos silenciar os ruídos que vêm de fora – ou quando estamos de férias!
 
Foto do(a) LEONARDO GUIMARÃES

LEONARDO GUIMARÃES

Estudante de Graduação em Psicologia pelo Centro Universitário Cenecista (UNICNEC) e Pesquisador de Iniciação Científica pela mesma instituição. É integrante de um Projeto de Pesquisa que investiga o efeito do ambiente familiar no desenvolvimento de transtornos de ansiedade em crianças e adolescentes. Possuí alguns traços de personalidade obsessivo-compulsiva, mas nada que o impeça de conviver em sociedade. Em sã consciência não costuma rejeitar um bom vinho, muito menos uma cerveja artesanal. Nas horas vagas, costuma ler sob o efeito de cafeína sobre os mais variados assuntos.

facebook

Receba nossa newsletter
Receba informações atualizadas e quentinhas, preenchendo os campos abaixo.
Copyright 2014. Todos os direitos reservados. Desenvolvimento: Dynamika / Visãoi